Um dia eu percebi que meu cérebro estava derretendo.
E não apenas isso... minha vida parecia miserável ao ponto de eu me questionar a utilidade de continuar vivendo. Parece extremo. E é. Não foi a primeira vez que me senti assim, e infelizmente provavelmente não será a última. Mas o scrolling infinito piorava a situação em 1000% e eu sabia disso.
O algoritmo é programado para mexer com a nossa cabeça.
Ansiedade, medo, insatisfação, impulso, angústia, descontrole.
No começo parece até um ótimo passatempo assistir alguns vídeos de humor, entretenimento, rotina, organização, assuntos interessantes e revelantes.
Mas o algoritmo trabalha de forma perspicaz.
De repente é um vídeo sobre vida luxuosa inalcançável.
Outro sobre uma teoria da conspiração altamente verossímil.
Talvez algo sobre a brutalidade do ser humano para com os seus semelhantes.
Talvez algum guru te dizendo o quanto você é um fracassado por tirar uma hora por dia para assistir Netflix.
Algo começa a mudar sutilmente.
A frequência da felicidade diminui na mesma proporção que a ansiedade aumenta.
Os 15 segundos acabam se transformando em minutos, depois em horas e depois em todo o seu tempo livre.
A vida fora das telas começa a ficar tediosa. chata. sem sentido.
A paciência pra ler ou assistir um filme fica cada vez menor.
Sair de casa se torna cansativo.
Os hobbies perdem o espaço.
Minha experiência com o Instagram e o Tiktok sempre chegam nesse estágio.
Depois de muito vício e sofrimento... eu paro.
Deleto os aplicativos.
Passo por crises estranhas de abstinência aonde me pergunto o que farei para suprir os intermináveis dez ou quinze minutos que surgem entre uma atividade ou outra.
E então, a mágica acontece.
A leitura volta a ser interessante.
O trabalho se torna mais empolgante.
A casa fica mais organizada.
Surge a vontade de estudar algo novo, alimentar projetos, escrever à mão, tricotar um cachecol porque o inverno está chegando.
Planos com amigos parecem uma boa opção, bate até uma saudade.
Uma caminhada no meio da tarde traz aquela sensação revigorante de alívio.
Novas ideias brotam que nem plantinhas, trazendo aquele entusiasmo inexplicável.
Por que parei de fazer as coisas que gostava tanto?
Não importa. A estrela do norte está ali mais uma vez. Basta não esquecê-la.
Viver uma vida vivida, de fato.
Não projetada através da tela.

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