o primeiro livro do ano!
Quarta Asa, que basicamente é uma fantasia jovem que possui dragões e engloba um sistema de academia militar, batalhas, provas e busca constante por sobrevivência, e que quer levar o leitor a acreditar na extrema violência desse universo que mais parece recortes de vários outros livros desse gênero (não se enganem pela descrição, eu gostei bastante. Mas parando para pensar, talvez pelo fato de algumas questões beirarem o absurdo e não fazerem sentido nenhum com a proposta do período da trama).
e O Peso do Pássaro Morto, que me surpreendeu muito e conta a trajetória da personagem desde criança até a morte, retratando uma vida que pode ser considerada tão deprimente e lamentável quanto o meu ano literário de 2025.
Tirando esses títulos só tive tentativas fracassadas. Até que decidi dar um tempo e deixar a vontade voltar naturalmente. É isso que chamam de ressaca literária?
Eu tinha começado a ler Mentes Extraordinárias, mas em certo momento também me saturou.
Foi aí que um passeio despretensioso na livraria em busca de um título qualquer de psicologia (que tem me atraído absurdamente nas últimas semanas) me levou até a prateleira de literatura estrangeira.
Eu já tinha pensado várias vezes em ler Dostoiévski, principalmente pelo fato de sua escrita frequentemente retratar o sofrimento humano e a luta interna psicológica de seus personagens destruídos pela desesperança e falta de perspectiva. E esse foi o momento em que escolhi Memórias do Subsolo.
Não tenho palavras para dizer o quanto gostei da escrita. Por vezes nas leituras a linguagem excessiva moderna me irrita, principalmente quando me proponho a consumir um produto que promete um cenário antigo/épico. E estamos falando de um livro publicado em 1864, ou seja, naturalmente sua linguagem acompanha a escrita da época. Pretendo ainda ler a versão traduzida direto do russo, pois tenho a intuição de que será mais encantadora ainda.
E quanto à história, acompanhamos um personagem vivenciando um declínio psicológico, portanto o que mais tem são linhas e mais linhas de diálogos tanto internos quanto externos do que aparenta ser um vórtice complicado de pensamentos distorcidos e sentimentos derivados de traumas e desistência completa da vontade de viver, tudo condensado em constantes ataques de fúria e intenção de insultar ou agredir quem quer que fosse.
Ou seja, o personagem principal parece estar enlouquecendo cada vez mais a cada interação consigo mesmo e com outros personagens.
Não me lembro quando foi a última vez que grifei parágrafos inteiros de um livro, se é que um dia o fiz.
Pretendo continuar lendo suas obras.
Tenho altas expectativas para os próximos.
"...naquela época eu era incapaz de amar, pois, repito, para mim, amar significava tiranizar e mostrar minha superioridade moral. Nunca em minha vida fui capaz de imaginar qualquer outro tipo de amor e, hoje em dia, cheguei ao ponto de às vezes pensar que o amor realmente consiste no direito - concedido livremente pelo objeto amado - de tiranizar sobre ele.
Mesmo em meus sonhos subterrâneos eu não imaginava o amor, a não ser como uma luta. Eu sempre começava com ódio e terminava com subjugação moral, e depois nunca sabia o que fazer com o objeto subjugado."




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